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Orgulhosamente Vigiense

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    Passada a época das violentas revoltas populares contra as forças legalistas do Império do Brasil, ocorridas entre 1830 e 1835, as províncias mais prejudicadas pelas seqüelas dessas agitações procuravam se soerguer. No Pará, ainda que terminada a Cabanagem, a população continuava vivendo em situação desconfortável, buscando penosamente a retomada da normalidade, principalmente nas localidades em que a revolução obteve maior efeito, ou seja, onde ocorreram conflitos: Belém, Acará, Barcarena, Cametá e Vila de Nossa Senhora de Nazaré da Vigia, como podemos interpretar ao ter contato com escritos e publicações de meados do século XIX.
A anistia geral, de 22 de agosto de 1840, foi um fator relevante no sentido de a província se recompor das marcas negativas deixadas pela revolução.
Vigia, após o período de batalhas, permaneceu sob administração do regime parlamentar, com a reconstituição da nova Câmara, em 1836, que substituiu a composição chacinada no assalto cabano ao Trem de Guerra, ocorrido em 23 de julho de 1835.
Recuperava-se o comércio, predominado por descendentes de portugueses, assim como também decorria o modesto avanço urbanístico, a movimentação no setor pesqueiro e nos empreendimentos agrícolas, embasados no sistema escravocrata. As atividades políticas, educacionais, culturais e religiosas, igualmente, buscavam expressão.
Fato relevante foi a publicação do primeiro jornal da Vigia, também estreante no interior da Província, denominado de O Vigiense, que começou a circular em 1852. A imprensa escrita, que a partir daí continuaria sempre atuante no cenário social local, estimulou bastante o florescimento da produção literária.
Em 1854, estando à frente do governo do Pará o tenente-coronel Sebastião do Rego Barros, Vigia dá um passo importante, ganhando foros de cidade, através da Lei Provincial de 02 de outubro daquele ano.
A classe intelectualizada vigiense do século XIX, representada por políticos, escritores, jornalistas, poetas, oradores, educadores, enfim... Figuras como Domingos Rayol (nascido em 1830), Araújo Nunes (1839), Bertoldo Nunes (1847), Vilhena Alves (1850), entre outros, mostravam-se dispostos e condicionados a promover um movimento de comunhão de ideais.
Assim, em 01 de outubro de 1871, foi fundada a Sociedade Literária e Beneficente “Cinco de Agosto”, encabeçando o grupo de conterrâneos o professor Francisco Quintino de Araújo Nunes, seguido do irmão Raimundo Bertoldo Nunes, Francisco Ferreira de Vilhena Alves, Alencarino Bezerra de Albuquerque, Domingos Antonio Rayol, Pe. Mâncio Caetano Ribeiro, Pe. Argymiro Maria de Oliveira Pantoja, Lauriano Gil de Souza, Manoel Felippe da Costa, Francisco de Moura Palha, Gerôncio Alves de Mello, Francisco Abrahão Furtado de Athayde, Manuel Evaristo Ferreira e demais nomes dedicados à causa do engrandecimento moral da Vigia, com intenção de promover de ações de cunho educacional, cultural e humanitário.
A entidade foi oficialmente instalada na data que lhe foi nomeada, data essa que, na época, era dedicada à festa de Nossa Senhora de Nazaré, padroeira da “Cinco de Agosto” e da paróquia. Vale lembrar que, na década de 1930 houve a transferência da realização do Círio de Nazaré, de agosto para setembro, ficando o 05 de agosto consagrado a Nossa Senhora das Neves, padroeira do município.















O fundador, Prof. Araújo Nunes, foi o primeiro presidente efetivo. Inicialmente, sem sede própria, a “Cinco de Agosto” foi abrigada no salão da residência do mesmo, uma casa situada ao lado da sede atual, no largo da Igreja Mãe de Deus, espaço que na ocasião era denominado de Praça “Siqueira Campos”. Esta casa, posteriormente foi adquirida pela família Soeiro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1.1 - Principais propostas e contribuições sociais

Os objetivos prioritários da “Cinco de Agosto”, conforme estatuto datado de 1905, consistiam em: distribuir a educação, o esclarecimento e benefícios ao povo, aos associados e seus dependentes, como, por exemplo, a destinação de recursos, em casos de enfermidade, e financiamento de despesas fúnebres, em decorrência de falecimento; apoiar a cultura e motivar o amor aos valores locais. Outra atividade essencial era promover, em parceria com a paróquia, o Círio de Nazaré, colaborando para a expansão da fé católica.
A parte educacional seria exercida através da implantação de uma Escola Primária e de um Externato (estabelecimento de ensino onde só há alunos externos, ou seja, que não residem no mesmo), para levar instrução gratuita à população desprivilegiada.
Nas últimas décadas do século XIX, a “Cinco de Agosto”, já enraizada no âmbito social da cidade, recebia apoio comunitário e era positivamente comentada em jornais circulantes na época: O Vigilante, O Liberal, O Liberal da Vigia e O Orvalho, de Bertoldo Nunes, ambos de cunho crítico, literário e noticioso; O Apóstolo e O Publicista, religiosos; O Espelho; O Ateneu; O Século XX, também de Bertoldo Nunes, entre outras publicações de prestígio.















O Externato era considerado um dos grandes feitos dos idealizadores da entidade. As aulas iniciavam regularmente no mês de janeiro, sendo ministradas, voluntariamente, por membros educadores, com ensinamentos em Geometria, Português, Geografia, Aritmética e Francês.
Em 1878, este contava com catorze alunos matriculados, sendo que vários deles, mais tarde, tornaram-se cidadãos influentes. Eram eles: Manoel Roque Pinheiro, Francisco de Assis das Chagas, Augusto Ramos Pinheiro, Manuel E. de V. Palheta, Manoel do Nascimento Souza, Manuel Braz F. de Ataíde, Henrique L. de Moura Palha, Raimundo José Cardoso, Luís Antonio Monteiro, Eurico Antonio Rayol, José Ferreira Monteiro, João de Almeida Pinheiro, José Maria Seabra de Moraes e Joaquim Faustino Rayol.
A aplicação e desempenho do alunado eram acompanhados pelos administradores da mesa de renda, além do promotor público, Joaquim Catanho Sobrinho, e outros amantes das Letras.  
Ao final do curso era realizado um exame para avaliação de aproveitamento, havendo também premiação ao aluno que mais se destacava, em sessão assistida por várias autoridades locais.
Ainda em 1878, no dia 01 de outubro, em comemoração ao aniversário do sétimo ano de fundação da “Cinco de Agosto”, os membros da Sociedade se reuniram na casa do presidente Araújo Nunes e decidiram que despenderiam a quantia de dez mil réis para serem doados como esmola aos mais necessitados da cidade.
Diante das benfeitorias da “Cinco de Agosto” para com a comunidade, freqüentemente eram ofertados à instituição materiais técnicos e didáticos, outras vezes também adquiridos de acordo com as disposições dos cofres da casa.
Em 1883 morreu o fundador e primeiro presidente, Prof. Araújo Nunes, aos 53 anos de idade.
Sendo considerada uma das mais antigas e importantes sociedades literárias e beneficentes do Brasil, antecedendo outras como a “Mina Literária”, de 1895, e as Academias de Letras, tendo a Brasileira surgido somente em 1896 e a Paraense em 1900, a “Cinco de Agosto” foi uma espécie de precursora desta última. A Academia Paraense de Letras (APL) foi fundada pelo escritor, advogado e político vigiense Domingos Antonio Rayol, o Barão de Guajará, da qual foi primeiro presidente.
















A “Cinco de Agosto” também emprestaria outros nomes de seus associados a algumas das citadas entidades.
Na Mina Literária constavam as presenças de Bertoldo Nunes, Vilhena Alves, Bezerra de Albuquerque e Barão de Guajará.
Com o surgimento da APL, integraram-na também: Alves de Souza, Olavo Nunes, Cantidiano Nunes, Otávio Pires, Teodoro Rodrigues, o próprio Barão de Guajará, e outros, que apareceriam posteriormente para representar o Município da Vigia, que por honra recebeu o cognome de “Atenas Paraense

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Diante da preocupante situação em que se encontrava a entidade, o Prof. Manuel Evaristo Ferreira convocou alguns membros para uma reunião em sua residência, em 08 de maio de 1902, a fim de se discutir providências para que a “Cinco de Agosto” não viesse a desaparecer. Entre os convidados estavam o tenente-coronel Casemiro José Ferreira, Manuel do Nascimento Magalhães e Souza, Capitão Francisco Antônio de Carvalho, além dos sócios efetivos Abrahão Athayde, Gratuliano Nunes, João Felipe, Nicácio Elleres e Jonas José Ferreira.
    Para a renascença da Sociedade foi idealizada a organização da biblioteca, sendo que, ficou a cargo do Prof. Bertoldo Nunes saber quais dos associados residentes em Belém continuariam a participar, além de coletar os livros que estavam em poder destes, para a posterior devolução à casa.
Na Vigia, foi nomeada uma comissão para percorrer a cidade, arrecadando livros e objetos pertencentes à Sociedade, que se encontravam em mãos de terceiros.  
O Prof. Manuel Evaristo Ferreira manteve-se provisoriamente na presidência.
Como se pode constatar em ata de 11 de maio de 1902, neste dia foi realizada a primeira sessão normal, estando presentes, além dos anteriormente citados, os membros Filipe de Barros, José de Vasconcelos, Prof. Cândido José de Vilhena e Santiago Monteiro.
Ao se falar na questão da sede, vários dos membros ofereceram as salas de suas residências, uma vez que, a “Cinco de Agosto” já havia funcionado em lugares diversos, cedidos pelos consócios, como as casas de Araújo Nunes (Praça “Siqueira Campos”), do genitor do Mons. Argymiro Pantoja (Rua de Nazaré, esquina com a Trav. José Bonifácio) e do Prof. Manuel Evaristo Ferreira (Av. Visconde de Souza Franco, ao lado da antiga casa do Barão de Guajará).
Por fim, a “Cinco de Agosto” acabou por ser instalada na residência de Casemiro José Ferreira (Rua de Nazaré, onde hoje é a residência das Irmãs Preciosinas, do Educandário N. Sra. das Neves).
Em 06 de julho aconteceu a primeira eleição da diretoria da Cinco de Agosto reorganizada, com a seguinte composição: Manoel Felippe da Costa (presidente), Casemiro José Ferreira (vice), Jonas José Ferreira (1º secretário), Manuel Magalhães e Souza (2º secretário) e Manuel Evaristo Ferreira (tesoureiro).
Como o presidente não pôde ser empossado, por motivo de doença, na sessão seguinte foi eleito presidente o Prof. Francisco Abrahão Furtado de Atayde.
Falava-se na criação de um periódico (jornal) e na Filocênica (companhia teatral), mas uma das principais metas era a reabertura do Externato e a retomada das atividades educacionais, assunto bastante discutido durante as sessões regulares, sendo também proposta a criação de uma escola primária noturna, para crianças pobres, pois isso consistia em oferecer à população um dos mais importantes benefícios sociais: a instrução.
Foi definida a data do início das aulas: 1º de março de 1903; assim como as disciplinas a serem lecionadas: Português, Francês, Aritmética, Geografia, História Pátria, Escrituração Mercantil e Religião, além do destacamento de professores, sendo inclusive citado os nomes do Cônego Raymundo Ulisses Penafort (o vigário), Drs. Antônio Evaristo da Cruz Gouveia e José Cavalcante da Costa, para serem convidados a integrar o corpo docente do Externato, que já contava com os professores Cândido Vilhena, Abrahão Athayde e Tertuliano Brasil.
Aos alunos do Externato que se destacassem pela dedicação nos estudos e excelente aproveitamento, seria estipulada uma pensão, para que este pudesse continuar os estudos na capital, como determinava o estatuto da casa.
Segundo consta nos arquivos, o estatuto mais antigo da “Cinco de Agosto” data do ano de 1905, sendo que, desta forma compunha-se a diretoria: Cândido José de Vilhena (presidente), Manoel Fernandes de Barros (vice), Casemiro José Ferreira (tesoureiro), Manoel Luduvino de Campos (1º secretário) e João Evangelista Cardoso (2º secretário).

Após algum tempo em funcionamento, a “Cinco de Agosto” teve novos impasses e o Externato voltou a fechar, ainda que sob lamentos.

2.1  A polêmica dos livros condenados

A “Cinco de Agosto” era uma sociedade aberta. Não tinha limitação quanto ao número de sócios, que pagavam uma pequena cota mensal, tampouco restrição quanto a nacionalidade. Porém, tratava-se de uma instituição estritamente católica. Esta era uma das poucas imposições aos candidatos a sócio e aos que já a integravam, sendo que, entre os mesmos, havia vários membros da Maçonaria (o que não é designada como religião).
Entre os diretores da “Cinco de Agosto” estavam autoridades religiosas e cidadãos que geralmente desempenhavam alguma atividade ligada à doutrina católica. Monsenhor Argymiro Pantoja, Cônego Ulisses Penafort e Padre Alcides Paranhos são alguns exemplos.
Eis que surgiu a polêmica:
Segundo um trecho da ata da sessão do dia 15 de agosto de 1909, o presidente Cândido Vilhena, estando com a palavra, comunicou que durante a visita do Mons. Argymiro Pantoja a esta cidade (pois este residia no arcebispado, em Belém), foi-lhe apresentado pelo próprio e pelo sócio Jonas Ferreira o catálogo dos livros existentes na biblioteca. Ao examinar, o religioso apontou diversos autores e obras condenadas pela Igreja, sugerindo, inclusive, que estes livros fossem imediatamente retirados da biblioteca e remetidos para Belém, para serem substituídos por outros, pois, por ser uma sociedade católica, a “Cinco de Agosto” não deveria ter em suas estantes tais publicações.
A questão foi exposta para que a casa se manifestasse a respeito.
Ainda de acordo com a mesma ata, solicitando a palavra, o sócio Manoel Fernandes de Barros contestou a hipótese, alegando que a transação, além de ferir o artigo cinqüenta e dois do Estatuto, privaria os associados da leitura de obras de autores consagrados, como Victor Hugo.



















Já o sócio Abrahão Athayde mostrou-se favorável à troca dos livros, dizendo que das obras condenadas nada poderia se aproveitar. Evaristo Ferreira também estava de acordo com a substituição, assim como também Casemiro Ferreira, Cândido Vilhena e o Capitão Guimarães Júnior, que também se pronunciaram em concordância com os princípios da Igreja Católica. Acrescentou ainda o Capitão Guimarães Júnior que, dias antes, ficara horrorizado ao ver uma jovem lendo o “Amor de Perdição”, de Castelo Branco, uma obra perniciosa, segundo ele.
A votação em torno do assunto foi acirrada. Enquanto alguns defendiam suas alegações favoráveis a troca, outros chegaram a dizer que o Monsenhor Argymiro nem deveria ser considerado sócio, por não ter ainda cumprido normas estatutárias.
Por fim, a maioria dos votos foi a favor da transação.
Contra o resultado manifestaram-se Manoel Fernandes de Barros, Bruno Pereira, Raimundo Brito e Pedro Paixão.
A decisão da Assembléia Geral foi competida a uma comissão, formada por Tertuliano Brasil, Cândido Vilhena, Evaristo Ferreira e Abrahão Athayde.
O fato abalou seriamente a agremiação, havendo renúncias e pedidos de licença por longo tempo. A “Cinco de Agosto” vivia grave problema interno. Isto porque um grupo de associados contrários a decisão tomada recorreu a Justiça.
A disputa entre o grupo aliado ao Monsenhor Argymiro e o adversário, que defendia a todo custo o patrimônio social, considerado intocável, tomou proporções tão preocupantes que por pouco não lançou a “Cinco de Agosto” ao caos.
O juiz, Dr. Antônio Evaristo da Cruz Gouveia, favorável ao grupo protestante, tomou então as medidas cabíveis para impedir a retirada dos livros, e a questão foi encerrada.

2.2 - A sede

Há muito se estudava uma proposta apresentada pelo Prof. Abrahão Athayde, sugerindo que a Sociedade levantasse fundos para a aquisição de um terreno onde pudesse ser edificada a sede própria, lembrando que a “Cinco de Agosto” já havia migrado por diversas residências.
A Assembléia Geral determinou, em setembro de 1908, que fosse empregada a quantia de 200 mil réis para a compra da área a ser construído o futuro prédio.
No início do ano seguinte, com a importância providenciada, Manuel Evaristo Ferreira, o tesoureiro, comunicava à Assembléia e solicitava autorização para firmar o referido negócio. E assim foi feito. O terreno comprado ladeava a antiga casa do fundador, Prof. Araújo Nunes, na Praça “Siqueira Campos”.
Com problemas de redução da atividade dos procuradores, os primeiros anos da década de 1910 foram penosos. Além disso, em 1912, de uma só vez, a Vigia perde dois de seus filhos ilustres: no dia 20 de outubro, aos 38 anos de idade, o poeta Theodoro Simões Rodrigues, que havia passado anos morando na capital do Estado do Amazonas, trabalhando na Biblioteca Pública de Manaus, é encontrado morto num quarto de hotel, em Belém do Pará. Sete dias depois, também falece, com 82 anos, Domingos Antônio Rayol, Barão de Guajará, em sua residência, na mesma cidade.
Vivendo dificuldades, devido à baixa arrecadação, o serviço da sede “engatinhava” lentamente.
Já em 1915, foi eleito presidente da Sociedade “Cinco de Agosto” o ex-vereador Fabiano Paulo de Souza, tendo como principal marca o dinamismo. Indicado pelo veterano Tertuliano Brasil, ele foi bem aceito entre os consócios, que depositaram total confiança para alavancar os projetos em execução.
Com esforço, a sede foi então erguida, uma conquista para a sobrevivência da entidade.

2.3  A Galeria dos Vigienses Ilustres

A Sociedade ”Cinco de Agosto” ganhava consistência, principalmente pelo fato de já possuir sede própria. Assim, sucessivas idéias surgiam entre os consócios.
Em dezembro de 1918, a casa lamenta a morte do seu respeitado reorganizador, que exercia a função de tesoureiro, Prof. Manuel Evaristo Ferreira, que publicou um livro de Aritmética. Foi homenageado durante a sessão de posse do presidente Manuel Luduvino de Campos, substituindo José Maria da Silva. O evento contou com participação de várias entidades locais, entre elas o recém-criado Clube Musical “União Vigiense” (fundado em 13 de maio de 1916), que presenteou a “Cinco de Agosto” com a quantia de 14.500 réis.





 

 

 













Também participaram representantes da Sociedade Beneficente “São Sebastião”. A oratória foi proferida pelo Prof. Lauro José Ferreira.
Em 1920, a Vigia via nascer mais duas importantes agremiações: os clubes esportivos Uruitá e Luzeiro, ambos provindos do extinto O Guarani Futebol Clube.
No mesmo ano, na sessão de posse do presidente eleito Raimundo Dário Ferreira de Brito, destacou-se a presença dos dirigentes desses dois clubes.  














1922: Em sessão de 10 de setembro, há a participação de Temístocles Santana Marques, membro da Associação dos Novos, de Belém. Representando a mesma, este tratava de promover relações sociais entre as duas instituições.
Já o ano de 1923 foi marcado pelas comemorações em torno do centenário da data da Adesão da Vigia à Independência do Brasil: 31 de agosto. Como não podia deixar de ser, a “Cinco de Agosto” elaborou suas programações para os festejos, assim como outras associações e clubes da cidade. Por esta ocasião, exercia a presidência o prof. Lauro José Ferreira. Eram também membros da diretoria: Manuel Castanheira (vice), Raimundo Dário Ferreira de Brito (tesoureiro) e Raul José Ferreira (1º secretário).
Em sessão solene, presidida pelo juiz, Dr. Antônio Evaristo da Cruz Gouveia, com oração oficial de Lauro Ferreira, a “Cinco de Agosto” inaugurava a “Galeria dos Vigienses Ilustres”, uma exposição acrescentável de retratos a crayon de vigienses com biografias notáveis.















Eis alguns dos homenageados: Barão de Guajará; Abrahão Athayde; Vilhena Alves; Heráclito Ferreira; Theodoro Rodrigues; Inocêncio Holanda; Lauriano Gil de Souza; José Augusto Corrêa, que enviou seu retrato de Portugal, atendendo a carta enviada pela diretoria; Evaristo Ferreira, cujo retrato integrou a galeria em 1936, durante a presidência do ex-prefeito João Jorge Corrêa.
Encerrando a solenidade daquele 31 de agosto, foi executado o Hino Nacional, pela banda “31 de Agosto”, presidida pelo vigário Alcides Batalha da Silva Paranhos, admitido como sócio da “Cinco” somente  em 1929.

 Em pesquisa recente do historiador vigiense Paulo Cordeiro, consta que João Jorge Corrêa, nomeado prefeito da Vigia entre 1931 e 1935, desejava estabelecer a reformulação do Carnaval da Vigia, seguindo o modelo implantado em Belém, onde os clubes se encarregavam de promover bailes em suas sedes sociais, separando, assim, a elite da sociedade em um espaço específico de diversão.
    Em 1932, pouco antes do carnaval, o prefeito, que também exercia a presidência da “Cinco de Agosto”, convocou uma reunião com famílias e clubes tradicionais da cidade, na sede da “Cinco”, para mostrar como era o carnaval de Belém. A partir de então, a “Cinco de Agosto” passaria a promover bailes em sua sede, organizados pelo próprio Jorge Corrêa. Os clubes esportivos, principalmente o Uruitá, o Luzeiro e o posteriormente fundado Pedreira, também aderiram e passaram a realizar bailes e blocos carnavalescos.

Em meados dos anos 30, a “Cinco de Agosto” enfrentava novo impasse, por parte de alguns associados que, paralelamente, estavam bastante envolvidos com agremiações esportivas, tomando partido em especial dos clubes Uruitá ou Luzeiro, que mantinham calendário regular de atividades futebolísticas durante o ano.
Em resposta ao problema, os membros mais dedicados e fiéis aos princípios da instituição, depositaram a confiança na pessoa de Raul José Ferreira, para contornar a situação.
    Segundo aponta o orador oficial José Belém em discurso proferido na sessão de posse a nova diretoria, presidida por Raul José Ferreira, em 1938, estes sócios, estavam prestando pouca atenção à “Cinco de Agosto” e aos exercícios intelectuais, já que se ocupavam mais com eventos competitivos.

Em 05 de agosto de 1938, por ocasião do 67º aniversário de fundação da Sociedade, tomou posse a nova diretoria: Raul José Ferreira (presidente); Júlio Bulhões da Trindade (vice); Manoel Alves Raiol (1º secretário); Abelardo da Conceição Siqueira (2º secretário); Manoel de Souza Leal (tesoureiro); Solon de Moraes e Sousa (procurador). Demais membros: Francisco Olavo Raiol, Raimundo Dário Ferreira de Brito, José Furtado Belém Júnior (orador oficial), Francisco da Silva Brito, Saturnino da Silva Cordeiro e Fabiano Paulo de Souza.
A geração de 30 marcou a história da instituição, devido principalmente à criação do jornal “O Cinco de Agosto”. Este órgão de comunicação, periódico noticioso, literário e independente, era gerenciado por Raul José Ferreira. O redator-chefe era o professor Marcionilo do Espírito Santo Alves e o secretário, Manoel Alves Raiol.

























O referido jornal tem sua vida dividida em duas fases: a primeira vai da estréia da publicação, em 11 de setembro de 1938 ao número 16, de 09 de maio de 1941, como órgão da Sociedade “Cinco de Agosto”, em cuja sede funcionava a redação e a tipografia.
A paralisação ocorreu por causa de perseguições políticas, pois “O Cinco de Agosto” não estava devidamente credenciado.

























A segunda fase vai do número 16 (repetido), de 01 de janeiro de 1944 ao número 27, do mês de fevereiro de 1945, já como órgão de propriedade do Prof. Marcionilo Alves, após este ter ido à capital nacional, Rio de Janeiro, a fim de obter o registro junto à Agência Nacional de Jornalismo (ANJ), que o habilitava como jornalista profissional, podendo responder pela publicação do periódico.
“O Cinco de Agosto” é referência de jornalismo sério. Suas páginas eram espaços nobres, onde se expressavam os intelectuais, através de seus poemas, crônicas, críticas ou reportagens, deixando para a posteridade o registro dessa época de grandes mudanças no cenário sócio-político.

3.1  Assistência e Escola às crianças pobres

Preocupados com a situação em que viviam as crianças pobres no final da década de 30, sem acesso à instrução, vagando ociosamente pelas ruas e botequins, lado a lado com o vício e com os maus costumes, a diretoria da “Cinco de Agosto” e de outras instituições locais procuravam um meio de reverter o quadro.
Marcionilo Alves, professor, dentista e jornalista, lançou uma campanha em favor da criança abandonada, criando o Instituto de Proteção e Assistência à Infância da Vigia, apoiado pelo interventor do Estado, Magalhães Barata, que na época frenqüentava bastante a cidade, e pelo então prefeito Manoel de Souza Leal, conhecido como Manduquinha Leal.

A sede do Instituto deveria ser construída à Rua de Nazaré, em terreno doado pelo estrangeiro Alfredo Silva, residente em Vigia.
A organização da diretoria assim ficou: Manoel de Souza Leal, o prefeito (presidente de honra); Pe. Alcides Paranhos, o vigário (vice); José Furtado Belém Júnior e Manoel Alves Raiol (1º e 2º secretários); Raul José Ferreira (tesoureiro); Prof. Tauriano Gil de Souza (orador).



















Através desta entidade, pretendia-se implantar no município um programa de assistência médica e odontológica gratuita às crianças pobres, além da criação de uma escola.
Em 1939, no governo de Getúlio Vargas, surgiu a Cruzada Nacional de Educação, à qual se afiliou a Sociedade “Cinco de Agosto”, com o propósito de instalar na sua sede a escola primária noturna. O presidente da Cruzada, Dr. Gustavo Armburst, enviou carta à diretoria da “Cinco da Agosto” agradecendo e parabenizando a iniciativa. O mesmo fez a doação de material suficiente para 30 alunos.
As aulas eram ministradas pelos diretores do jornal “O Cinco de Agosto” e demais dirigentes da Sociedade. O prefeito Manoel de Souza Leal dava sua contribuição, isentando a “Cinco de Agosto” de pagar conta de energia elétrica.
    Na sede, também eram realizados cursos técnicos, aulas de teatro e eventos culturais, como a exposição de pinturas do artista vigiense Santinho Cardoso, aberta ao público em 05 de agosto de 1939.

O ano de 1946 foi marcado pela morte do Monsenhor Argymiro Pantoja, ocorrido no dia 05 de agosto. Ele nasceu na Vigia em 09 de novembro de 1867 e era um dos mais antigos associados da “Cinco de Agosto”. Em homenagem ao religioso, a Praça “Siqueira Campos”, em frente à Igreja Mãe de Deus, passou a ter seu nome.
 Nos anos 50, passaram a ser cada vez mais freqüentes as organizações de eventos envolvendo artes cênicas, e a sociedade vigiense passou a ter acesso à contemplação da cultura cinematográfica. Na cidade havia sido implantado o “Cine-teatro Brasil”, palco de memoráveis espetáculos do gênero. Posteriormente, surgiria o “Cine Monark”, ambos extintos.  
Era antigo o desejo de adequar a sede da “Cinco de Agosto” para a apresentação de peças e para a dinamização da escolinha de teatro, pois o prédio, construído durante a presidência de Fabiano Paulo de Souza (1915), por não ter sido concluído, dispunha de estruturas  insuficientes.
Em 1955 assumia a nova diretoria, com:
Prof. Tauriano Gil de Souza (presidente); Fabiano Paulo de Souza (vice); Anísio dos Santos Mota e Helena Moraes e Sousa (1º e 2º secretários, respectivamente); Francisco Olavo Raiol (tesoureiro) e Raimundo Gomes Pereira (procurador). Demais diretores: Domingos Bragança Pinto, Sólon de Moraes e Sousa, Lúcio Bartolomeu de Moraes e Sousa, Jorge de Moraes e Sousa, Vinícius Moraes e Sousa, Milton Moraes e Sousa, Ida de Moraes e Sousa, Olímpio Antônio de Sousa Pinheiro, Antônio Matias da Silva, Lucas Evangelista Raiol e Raimundo Monteiro Maciel.  
Nos anos seguintes, a idéia de possibilitar a reforma da sede era um dos principais objetivos a que se destinavam os trabalhos dos dirigentes.
Em 1968, a parte mais antiga do prédio inacabado apresentava risco de desmoronamento. Realizou-se uma votação para decidir sobre continuar a construção do prédio ou investir no acabamento do salão. Após os debates, a primeira opção foi acatada. A diretoria:
Fabiano Paulo de Souza (presidente); Domingos Bragança Pinto (vice); José Ildone Favacho Soeiro e João Tibiriçá Monteiro (1º e 2º secretários); Francisco Olavo Raiol (tesoureiro). Demais membros: Laurivaldo da Conceição dos Reis, Vinícius de Morais e Souza, Carlos Costa, Sólon de Morais e Souza, João da Cruz Monteiro, Jorge de Morais e Souza, Alarico Ferreira Pinheiro.
O orçamento foi efetuado pelo sócio Amadeu Alves Barbosa, que era construtor. O valor calculado ficou em cerca de 12 mil cruzeiros.  

O serviço, então, foi realizado. Havendo a ampliação e algumas modificações na estrutura da fachada. Enquanto seguia a obra, o acervo da biblioteca foi cuidado e reorganizado pelo Prof. José Ildone Favacho Soeiro. Porém, os trabalhos de construção logo foram paralisados.



















a retomada, em que finalmente se completou a cobertura, o forro e o piso de “taco” deu-se com a aproximação dos festejos do centenário de fundação da “Cinco de Agosto” (1971). Os recursos para a finalização da obra foram conseguidos mediante a venda de um terreno que pertencia à Sociedade “Cinco de Agosto”. O terreno localizava-se ao lado esquerdo da sede, esquina com a Av. Visconde de Souza Franco (atual Av. Profa. Noêmia Belém). Foi vendido ao C-30 (Clube dos 30), associação futebolística formada por senhores, que no local fizeram um “campo de pelada”. Posteriormente, o mesmo terreno foi vendido à Paróquia, para a construção do salão paroquial, em 1978.

4.1  O Centenário

No início de 1970, a presidência foi assumida temporariamente pelo Prof. José Ildone Favacho Soeiro, tendo o presidente titular, Fabiano Paulo de Souza, e o vice, se afastado da direção da entidade.
Os trabalhos voltavam-se totalmente para o setor de procuradoria, no sentido de se conseguir verbas. A diretoria da “Cinco de Agosto” teve como aliado o procurador Raul Sérgio Fernandez Vieira, que tinha escritório sediado no Rio de Janeiro, através do qual a Sociedade obteve o registro junto ao Conselho Nacional de Serviço Social.
A “Cinco de Agosto”, fundada em 1871, com a participação do Prof. Bertoldo Nunes, via, cem anos depois, o filho dele, Dr. Vinícius Augusto César Nunes, entrar para o quadro social da entidade. O mesmo ofertou um quadro contendo o retrato do pai ao Colégio Normal Estadual “Bertoldo Nunes”. Quadro este que integrou a Galeria dos Vigienses Ilustres, exaltada durante a solenidade que marcava o centenário da Sociedade “Cinco de Agosto”, em que houve extensa programação dentro e fora da sede, com participação de diretores, de antigos e novos sócios, de autoridades e da comunidade escolar vigiense.

Na ocasião, o jornal O Espelho, que havia circulado na Vigia em 1878 e 79, foi relançado, com o apoio da Prefeitura Municipal, administrada por Marco Aurélio Belém, e do CRUTAC, da Universidade Federal do Pará.
Assim era composta a diretoria no centenário:
Dr. Otávio Marcelino Maciel (presidente); José Ildone Favacho Soeiro (vice); Profa. Noêmia Gouveia Furtado Belém e Laurivaldo da Conceição dos Reis (1º e 2º secretários); Francisco Olavo Raiol (tesoureiro); Benedito Palheta (procurador). Demais membros: Prof. Francisco Siqueira Soeiro, Profa. Irene Favacho Soeiro, Carlos Costa, Vinícius de Moraes e Souza.
Por esse tempo, lançaram livros na sede da “Cinco de Agosto” os escritores Benedito Monteiro, Rodrigues Pinagé e José Ildone.

    A década de 80 foi a era dos festivais da canção e poesia, que a “Cinco de Agosto” promovia em sua sede.
    Os festivais revelaram para a sociedade vigiense vários intérpretes, letristas, poetas e declamadores, que ficaram conhecidos na época, entre eles: Geraldo Rodrigues, Aldenor Barros, Ranilson Chaves, Toninho Soeiro e José Ildone.
    Ildone entrou para a Academia Paraense de Letras em 1981, sendo empossado no dia 18 de março, ocupando a cadeira nº 31. O mesmo tem mais de 10 livros publicados, além de ser colaborador em vários veículos de comunicação da capital.
    Em 1984, é eleito presidente da “Cinco”. A diretoria:
    José Ildone Favacho Soeiro (presidente); Francisco Siqueira Soeiro (vice); Irene Favacho Soeiro e Maria Imaculada de Jesus Carvalho da Silva (1ª e 2ª secretária, respectivamente); Francisco Olavo Raiol (tesoureiro); Carlos Magno da Silva Costa Filho (procurador). Outros membros: João Evangelista, Vinícius Souza, Lucinete B. Souza, Raimundo Nonato dos Santos, Roberto dos Santos Ferreira, Vera Maria Palheta Ferreira, Nicolau da Costa Silva e Laurivaldo Reis.