Rua Pedro Raiol, 328

Bairro: Centro - Vigia, PA

CEP: 68.780-000

E-mail: vigiapara400@gmail.com

 

© 2016 por INFOGRAFIC.

Orgulhosamente Vigiense

  • Google+ Clean
  • Twitter Clean
  • facebook

As Foguetarias de Vigia e suas explosões

No início do século XVIII as comemorações na Vigia se davam através de panos pendurados nas janelas das casas, com lamparinas e velas, ou até com tiros ao alto pela guarda, ou pelos canhões como foi o caso da dominação cabana, que deram tiros de canhão em frente a Matriz para comemorar a conquista da Vila. Até aquele momento não se tem relatos de foguetórios por estas bandas.  

A atividade chegou a Vigia trazida pelos portugueses no século XVIII, um dos primeiros registros é de 1863 do jornal O País do Maranhão, um anúncio da foguetaria Alves Nogueira & C., de propriedade de portugueses, que tempos depois se fixaram no Pará, como Vigia era uma Vila Portuguesa, conseguiram levar a arte dos fogos para lá, com fábricas clandestinas, fabricadas por hábeis artistas: Pistolas cores (sendo encomendadas), Ditas brancas, Buscapé de todos os calibres, Frontanas itens, Carritilhas, Girassois brancos e de cores, Rodinhas, Foguetinhos de uma bomba e de lágrimas.  Outro relato que se tem é o relato da ex-escrava do então Barão de Guajará:

Na abolição da escravatura: “Houve uma enorme festa aqui na Vigia, lá na fazenda não aconteceu nada, porque o Barão não deixou. Mas aqui houve fogos, bebida e dança, além de muita comida. Os pretos que já gostavam de carimbó durante a escravidão, aí mesmo que caiam no carimbó. As mulheres dançavam e cantavam que até aquele dia não tinha sido vista, nem nas festas de São Benedito.”
“Assisti a uma grande festa. Era a chegada do filho do Barão que vinha dos estudos na Europa. O Largo da Pólvora ficou lotado de gente. Era fogos, carimbó e bebida. Foi uma grande festa.”

A queima de fogos é outra característica da procissão no município. Segundo José Ildone, em Vigia se localizavam muitas pequenas fábricas de foguetes, cuja produção abastecia o Estado inteiro.

Já no século XIX uma das mais antigas era a do Senhor Machico, patriarca da família de Amâncio Ataíde e do Seu Rosa “Pai do conhecido Burrinho”, que se localizava onde hoje é o Terminal Rodoviário de Vigia, na Av. Magalhães Barata com Av. Marcionilo Alves, em frente a essa foguetaria existia o forte Comércio do seu Bené, e uma Vila de casebres toda em taipa, fornecia fogos para os festejos da cidade e também da Capital, tempos depois foi fundada a Foguetaria Palheta, que ficava na esquina da Rua Duque de Caxias e Travessa Solimão, onde trabalhavam os irmãos, Seu Gitoco, Clarito Palheta e seu Chiquinho Palheta.

Fogueteiros de Vigia

Amâncio Ataíde
Chiquinho Palheta
Clarito Palheta
Seu Gitoco

Nessa época de pouca fiscalização e já tratada como atividade cultural vigiense, ocorreu uma das primeiras explosões de foguetarias de Vigia, algo nunca visto por aqui, segundo relatos de moradores próximos da época:

“O chão tremeu, as tábuas voaram a mais de cem metros, a casa da dona Francisca que ficava do outro lado da rua, foi totalmente destruída, e muitas casas danificadas, teve até uma moradora que saiu horrorizada com os seios a mostra, se dando conta apenas na cozinha de uma vizinha, foi triste, lembro que seu Chiquinho teve ferimentos de queimaduras graves, assim como os outros que estavam no local”.

Depois do ocorrido, cada um dos citados funcionários criaram suas próprias foguetarias, passou algum tempo, já nos anos 80 e teve a explosão da segunda foguetaria de Vigia, que ficava na Rua José Augusto Correa, no bairro Pantanal, segundo relatos:

“Parecia um terremoto, gente correndo com a mão na cabeça, gritos, desmaios, todos se dirigindo em direção aquela foguetaria, uma cena triste, um corpo todo queimado e seus membros achados a distância da explosão, outros feridos e encaminhados ao hospital, um desespero só”.

Se passaram mais alguns anos e a mesma foguetaria que já tinha sido reestruturada explodiu novamente, já nos anos 90, outra triste explosão que arrebentou com casas próximas, e vitimando mais um fogueteiro da época, depois do ocorrido, ficou proibida as fábricas de fogos de artifício em Zona Urbana, que fez com que se extinguisse todas da cidade.

E quando menos se esperava ocorreu uma das mais trágicas explosões de foguetarias de Vigia, de propriedade do Professor Carmo Gonzales, que herdou a profissão do Seu Clarito Palheta, foi na Zona Rural como se exigia a lei, mas quem lida com pólvora é sempre um risco, nessa explosão foram seis vítimas fatais, incluindo o professor e ex-vereador de Vigia, Carmo Gonzales Palheta, dias em que a cidade ficou triste, e prestou uma linda homenagem a esses guerreiros que apenas tentam trazer alegria e brilhantismo para nossas vidas, um salve aos fogueteiros da antiga e da atualidade, como é o caso do Douradinha, Jeová Palheta e Dinaldo, pois, Vigia ainda tem os seus representantes que fornecem fogos para todos os festejos de Vigia e para o Círio de Nazaré em Belém, são os vigienses os mais respeitados devidos a sua tradição de longa data com fogos de artifício.

Aqui os tipos de fogos fabricados e que fazem a alegria dos vigiense, principalmente no mês junino, com seus clarões, foguetinhos, morteiros e estalinhos, recorda a velha infância vigiense, o coração aperta de tanta saudade das brincadeiras com fogos. Essa frase é típica de uma criança vigiense brincando com seu clarão “Acabou, bate que ainda sai fogo”.     

Os fogos de artifício de Vigia na homenagem a Nossa Senhora das Neves
na Procissão de Cinco de Agosto

O carro de fogos já fez parte do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, mas foi abolido por causa dos riscos aos romeiros, ainda hoje é um dos símbolos do Círio de Vigia, todas as procissões de Vigia tem a presença dos fogos, no caso de datas comemorativas o fogos dão o anuncio do festejo do dia, a primeira queima de fogos é as 00:00h, 6:00h, depois às 12:00h, e no decorrer dos eventos. Vigia sem fogos não seria a mesma. As datas em que os fogos são indispensáveis é a Procissão de São Pedro, Procissão de Cinco de Agosto e Círio de Nazaré, no caso da procissão de Cinco de Agosto, nos anos 80 e 90, dois incidentes com fogos registrados, um na Trav. Solimão, quando a armação de pistolas tombou em direção aos fiéis, deixando alguns feridos e outra em frente a Matriz quando morteiros tombaram atingindo várias pessoas, depois desses incidentes os fogos só podem ficar mais afastados dos eventos.   

É uma cidade abençoada, diferente de todas do Brasil, devido a cultura que vem recebendo ao longo dos séculos e agregando a cultura já existente aqui dos indígenas e escravos vindos da áfrica.

Os fogos de Vigia na homenagem dos Extivadores no Círio de Belém