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Orgulhosamente Vigiense

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Há algum tempo atrás havia uma crendice no município em que se achava que o mesmo não iria para frente, ou seja, não prosperava. Essa crendice, atualmente, já não é tão latente como antes em que se reproduzia uma certa superstição, advinda de um fato que teria ocorrido no início do século passado (1909) quando a população do município teria botado para fora daqui o Cônego Ulisses Penafort junto com seus familiares. Em matéria publicada em O Liberal o jornalista e advogado vigiense, Donato Cardoso, descreve essa peripécia que se passou em Vigia a partir da pesquisa realizada com vigienses que viveram na época.

                (...) Dizem velhos de hoje, que eram crianças na época do bota-fora do sacerdote, que o Cônego Ulisses Penafort, que naquela cidade vivia em companhia de duas irmãs solteiras, na parte superior do sobrado de pedras que não existe mais, e que projetava os fundos  para o rio Guajará-Mirim que banha a Vigia, e onde até o final da década de 50 funcionou o comércio “Casa Campos” com frente para a retaguarda do Grupo Escolar Barão de Guajará, que a turma reuniu-se em frente à residência do pároco por volta do meio-dia de uma manhã ensolarada, com os manifestantes em algazarra, soltando foguetes de assobio, batendo latas, bumbos e tambores, a intimidar o reverendo que descesse e se retirasse para Belém. Como Penafort resistisse à uníssona notificação verbal, o povo ameaçou busca-lo à força em seus aposentos, em vista do que o padre aquiesceu aos impropérios, e desceu a escada trazendo nas mãos duas maletas carregadas, deixando  o prédio em companhia de seus familiares.

Maré baixa, caboclos pescadores arrastaram pelo barro até perto da casa a canoa a vela “Trino reis”, do então abastado Jonas Ferreira, onde o Cônego e suas irmãs embarcaram, navegando com a tripulação até o Farol de Colares de onde foi passado um telegrama dando ao Bispo a notícia do incidente, que mandou transportar o sacerdote daquela base da Marinha para a capital. Por isso, Vigia, por alguns anos, ficou sem padre.

Existe a informação de que no momento em que a “Trino reis” singrava as águas, em direção ao furo da Laura e antes que a canoa desaparecesse das vistas do povo, desabou sobre a cidade violento temporal com trovões e relâmpagos sob o céu escuro, instante em que a turba se dispersou, espavorida, numa correria sem rumo, sob gritos de que Penafort não deveria ter sido expulso e que a trovoada e a chuva eram castigos de Deus sobre a Vigia.

                (...) várias queixas levaram o povo a tomar aquela atitude extravagante, reclamando os católicos que o Cônego nem sempre celebrava missa nos dias e hora marcados, deixando os fiéis sem assistência religiosa, muitas vezes, em plena igreja.

                Dizem, também, que o sacerdote dedicava-se mais ao sítio em Santa Rosa, onde costumava ir e vir de cavalo, e cujos arreios eram revertidos com a prataria da Matriz, trabalhado pelo único ouvires  que existia na Vigia, o francês, Frederico Alcaide.

                Talvez essa atitude tenha sido, extremamente, radical para a Vigia conservadora e tradicional que ainda hoje se apresenta quando se relaciona algum tipo de contestação de ordem, salvo alguns fatos existentes à algum tempo atrás, como: passeata para tirar prefeito (que saiu, mas logo voltou), passeatas de estudantes e professores em apoio aos servidores da educação, em favor da paz no município. O Bota-forado Padre é uma resposta popular à tirania daqueles que se dizem donos do poder.

                Segundo Donato Cardoso o Padre ao ser expulso teria dito que “Vigia não passaria de uma colônia de pescadores e que nunca iria para frente, só para traz”.

                Se atualmente o padre pudesse ver, Vigia é considerado um município turístico devido sua potencialidade com recursos necessários para o desenvolvimento dessa atividade econômica. Possui um dos melhores carnavais do Brasil junto com o mais famoso e antigo círio desse Estado. Porém precisa melhorar em alguns aspectos.

                Vigia ainda é considerado um grande entreposto pesqueiro do Norte do País que atraiu algumas empresas de pesca para o seu espaço estratégico. O comércio do município expandiu e está crescendo a cada dia com a vinda de empresas de outros lugares.

                Com ajuda de vigienses e pessoas que vieram de outras terras, o município vem dando saltos qualitativos em termos de desenvolvimento econômico.

                Se existiu essa praga, Vigia precisa mostrar o contrário para esse malsinado angúrio e olhar para frente, no sentido de trazer benfeitorias, principalmente para os que vivem em seu espaço.

(Matéria da Revista Agenda do Salgado – Ano 2005)

A MALDIÇÃO DE PENAFORT

Cônego, Ulisses Penafort, Pároco de Vigia em meados de 1909 foi expulso do município lançando para o mesmo uma “praga”.