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Orgulhosamente Vigiense

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OS ÍNDIOS NA CIDADE DA VIGIA, TRIBOS E ALDEAMENTOS

Com a chegada dos portugueses à Amazônia, começou uma praticamente irrestrita “temporada de caça” dos habitantes do leste dessa região. De acordo com o vigário-geral do Maranhão, Manoel Teixeira, numa questão de décadas, os portugueses mataram quase dois milhões de índios no Maranhão e no Pará. Esse número talvez tenha sido exagerado, mas a destruição e o sofrimento foram bem reais. O oeste da Amazônia mais tarde sofreu uma devastação similar. Em meados do século 18, a região amazônica, com exceção de áreas remotas, havia perdido quase toda sua população indígena.

A fundação das cidades paraenses aconteceu, em linhas gerais, a partir de dois diferentes momentos históricos. Os primeiros municípios, como Belém, Vigia, Cametá e Bragança, ainda no período colonial, a partir do século XVII, nasceram às margens dos rios da bacia amazônica e tinham como principal objetivo garantir a posse portuguesa desta região, bastante ameaçada pela presença francesa.

Os religiosos da Companhia de Jesus edificaram sua primeira igreja na localidade de

Vigia, no ano de 1702, conjuntamente com a abertura de colégios e aulas de latim. Devido a grande preocupação em aperfeiçoar o processo de comunicação com os nativos, o Padre Luís Figueira elaborou a Gramática e o Dicionário da "Língua Geral" (expressão que designava o Tupi antigo ou Tupinambá), editados em 1621 e que foram de muita valia no trato com os índios.

Os índios Tupinambás habitavam uma aldeia chamada Uruitá (cesto de pedra), onde hoje localiza-se a sede do município da Vigia.

Os jesuítas, na Vila de Nossa Senhora de Nazareth da Vigia, construíram aldeamentos na aldeia de Cabu ou dos Tupinambás (Colares), na Aldeia de Tabapará (Tauapará). Aldeia de Penha Longa (Guarapiranga) nas fazendas mamaiacu (Porto Salvo) e São Caetano. Na época Colares e São Caetano pertenciam a Vigia. Em todas as missões a mão de obra era indígena. A fazenda do Porto Salvo foi a que mais prosperou e ajudava em gêneros alimentícios o Colégio de Santo Alexandre em Belém e do Marajó.

 

O aldeamento de Porto Salvo estava estrategicamente em localizado, banhado pelo Rio Guajará mirim e aos redores de uma floresta, um manguezal com todo esse atrativo, o aldeamento de Porto Salvo foi o que mais se destacou em termo de desenvolvimento econômico chegou a abastecer outros aldeamentos.

 

A fabricação de canoas também foi de grande importância para a locomoção e para a pesca. A técnica dos índios e os ensinamentos dos padres resultaram na construção da canoa Vigilenga. Afirma-se que a canoa vigilenga é a procedência dos vigienses e que essa canoa é uma mística, resultado da combinação entre o barco de pesca português e a igarité.

 

Mamaiacu teve uma importância fundamental na construção da Amazônia. Chegou a exportar gêneros alimentícios e “drogas do sertão” a Portugal e, possivelmente madeira, índios tupinambás, tucanos e maragueses faziam parte desse aldeamento constituído pelos jesuítas por volta de 1663, e que permaneceu até 1756. No dia 20 de outubro de 1757, o aldeamento Mamaiacu passou a ser chamado de Nossa Senhora de Porto Salvo, por determinação do governador geral do Estado do Grão-Pará e Maranhão. O dia a dia na comunidade ainda guarda alguns vestígios da época de aldeamento conforme relata Cordeiro, ao citar com base nos inventários jesuítas a dinâmica do trabalho e da vida social dos indígenas, um dos grandes trabalhos desenvolvido pelas índias era a produção de farinha nas casas de forno, Mamaiacu foi  o primeiro nome segundo o dicionário tupi, Mamaiacu é o mesmo que Baiacu, que nessa época tinha em abundância desse peixe, o nome posterior foi dado em homenagem à padroeira de Porto Salvo de Lisboa, Portugal.

O Pe. JOSÉ DE MORAIS, que, reitere-se,conviveu com os nativos de Colares nos primórdios da ocupação estrangeira na Ilha, por volta de 1653, informa-nos a respeito do descimento de tribos indígenas - os tupinambás e goiapires – levados à Colares. a existência de uma fábrica de Anil na Ilha; a concessão de mão-de-obra indígena que foi utilizada na construção da Igreja na Vigia; a ocorrência; de uma epidemia de bexigas e relata importantes informações envolvendo os jesuítas, os nativos e os colonizadores:

“Do rio Jari desceram os nossos padres a que hoje se acha no Curuçá ², com não pequeno trabalho e gastos do colégio, obrigando-se os índios a servirem tão-somente aos padres, pagando-lhes o seu serviço, dando-lhes terra e o mais preciso para as suas lavouras, como fizeram e se tem até o presente conservado, com mútua satisfação de uns e outros, pelo bom trato e assistência que recebem, embora assistam com o seu trabalho com prontidão e alegria.
Neste tempo já os nossos padres tinham em Mamaiacu alguns poucos índios com que lavraran alguma roça para sustento dos religiosos, aos quais depois se ajuntaram alguns poucos tupinambás e goiapires, que tinham descido do rio Tocantins o Padre Francisco Veloso, e quiseram voluntariamente servir aos padres, precedendo primeiro licença do governador, que aprovou a resolução; tendo recebido primeiro para o serviço de el-rei passante de mil almas, como que gloriosamente se recolhia aquele insigne operário, fundando na baía do Sol a aldeia que depois se chamou dos tupinambás ³, e hoje se chama do Anil em razão da fábrica que ali se formou sem efeito; ou com o nome de Cabu, que é o mais trivial e conhecido dos moradores. Estes poucos casais, que tinham vindo com aquele grande descimento, e ido, pelo assim o pedirem os índios ao Padre Veloso, para a nossa fazenda de Mamaiacu, foram depois malsinados pelos invejosos para que se nos tirassem, olhando mais para os poucos com que ficamos que para a grande multidão que tinham às suas ordens, devido à atividade e zelo daquele bom padre, sendo uma das maiores aldeias que tinha Sua Majestade, ao princípio do sítio que foi de José Bento, que depois passou a título de venda aos religiosos das Mercês, chamando-se a aldeia do Espírito Santo, onde havia duas igrejas, como me afirmaram homens antigos, e por causa de uma grande mortandade epidêmica do contagioso mal de bexigas se passou para a costa no lugar que dissemos de Cabu, onde fui algum tempo missionário. Porém o Sereníssimo Sr. D. Pedro, de saudosa memória, mandou no ano de 1685, que os padres os conservassem sem controvérsia, e os governadores não bulissem com eles.
Depois de muitos anos, no de 1729, quis o Governador e Capitão-General Alexandre de Sousa tirá-los, como tirou, pondo-os no Guamá; porém, ou o escrúpulo do receio de contravir às ordens reais os fez logo restituir ao mesmo lugar de Mamaiacu, junto da vila da Vigia, onde ao presente se acham socorrendo com seu serviço ao colégio que, posto que pago, sempre o julgo digno do nosso agradecimento a tão bons e cuidadosos índios.

Dou esta notícia, pelas que tenho diante dos olhos destes princípios, para que os vindouros saibam o título que nos servíamos de tão preciosos obreiros, mas porque ao tempo que fui missionário de Cabu o fui também da aldeia de Tabapará, que por falta de terras em que lavrassem os índios, no lugar antigo, a mudei para quase sobre a costa uma légua por terra distante do antigo sítio, onde fiz igreja e casas novas, com consentimento do Governador e Capitão-Generela João de Abreu Castelo Branco, que a deu a requerimento dos mesmos índios, estando no sítio de Matias Caetano, onde se achava convalescendo, não muito distante de Tabapará (que sem preceder esta licença a não quis mudar); o de que me argüiram os moradores da Vigia, que eu mudara a dita aldeia sem licença do governador, contra as ordens de Sua Majestade, como é verdadeiro que a dita aldéia é do serviço privativo dos pobres, e mais que todos necessitados dos moradores da Vigia, que mudara a dita aldeia sem licença do governador, contra as ordens de Sua Majestade, como é verdadeiro que a dita aldeira é do serviço privativo dos pobres, e mais que todos necessitados moradores da mesma vila, pela descerem à custa da sua fazenda do interior do sertão, para se servirem deles por repartição nas suas necessidades, como fizeram sempre, até que o Governador e Capitão-General Mendonça absoluta e potencialmente os mandiu ajuntar com os índios de Cabu, aldeia do serviço real; destinada para a arrecadação dos dízimos; o que não poderá deixar de redundar em grave prejuízo dos miseráveirs moradores.
E se disserem que quando fui missionário lhes não dava os índios que me pediam, não era por falta de vontade, mas pela penúria dos ditos índios, e ter já dado os poucos que havia para as obras da igreja da milagrosa imagem da Virgem Senhora de Nazaré, por concordata que com seus fregueses fez o reverendo e zeloso vigário, de cederem deles os moradores enquanto durasse a obra, devoção destes fervorosos vigilenses, cujo direito ao serviço dos índios de Tabapará quis perpetuar nesta história, que em todo o tempo poderá recorrer à real piedade de seu rei em orden à antiga utilidade da sua repartição.

 

REQUERIMENTOS DOS ÍNDIOS DE VIGIA AO REI DE PORTUGAL NO SÉCULO XVII

 

1711, Julho, 23, Belém do Pará

CARTA do [governador e capitão-general do Estado do Maranhão] Cristóvão da

Costa Freire, para o rei [D. João V], em resposta à provisão régia de 17 de, Junho,

de 1709 sobre a concessão de vinte casais de índios aos moradores da vila da

Vigia.

Anexo: cartas e despachos.

AHU_CU_013, Cx. 6, D. 467.

 

CATÁLOGO DE DOCUMENTOS MANUSCRITOS AVULSOS REFERENTES À CAPITANIA DO PARÁ

EXISTENTES NO ARQUIVO HISTÓRICO ULTRAMARINO

AHU_CU_013

PÁG. - 1069 / 1976

6853- [Ant. 1779, Setembro, 15

REQUERIMENTO da índia Madalena, do lugar de Penha Longa, na vila da Vigia,

para a rainha [D. Maria I], solicitando provisão para se poder conservar na casa de

D. Ana Narcisa da Costa ou onde melhor lhe convier, como determina a lei de

liberdade dos índios.

Anexo: requerimento.

AHU_CU_013, Cx. 83, D. 6853.

 

biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/para/vigia.pdf

 

repositorio.ufpa.br/jspui/bitstream/2011/.../1/Dissertacao_TurismoBaseComunitaria.pdf

 

http://amigosdecolares.blogspot.com/2010/05/outros-grupos-indigenas-em-colares.html

https://actd.iict.pt/eserv/actd:CUc013/CU-Para.pdf