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Orgulhosamente Vigiense

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A quase esquecida história da saga vigilenga no cenário aéreo marítimo mundial do inicio do século XX. Foi assim, que as embarcações “vigilengas” ganharam notoriedade planetária, quando alguns dos incidentes aéreos mais conhecidos da época aconteceram numa das rotas marítimas mais importantes da Amazônia.
Tudo aconteceu na década de 1920, no auge dos Raid’s – uma forma de rali aéreo – quando em todos os continentes as disputas pelas mais longínquas jornadas aéreas era o grande devaneio dos primeiros aviadores. Seguir pelo vasto céu azul, atravessar milhares de quilômetros de terra e mar, buscando com pioneirismo as futuras rotas da aviação. Da América do Norte à América do Sul. Sobrevoando os mais impetuosos mares, como o furadouro da Ilha de Maracá – trecho sempre alocado por dezenas de vigilengas em função do comercio ou da pescaria. Foi justo nesta rota marítima que os encontros decisivos entre heróis anônimos e destemidos azes do ar, colocaram vigilengas e hidroaviões nos anais históricos da aviação mundial.

VIGILENGA “AFFONSO FONSECA” E O RAID NOVA YORK – RIO DE JANEIRO: O primeiro registro da bravura do caboclo vigilengo aconteceu em 17 de novembro de 1922. Na foz do rio Cumani, região entre Calçoenen e Caciporé, a tripulação americana do hidroavião “Sampaio Correia II” pilotada pelo aviador brasileiro Pinto Martins, após amerissagem de emergência, em meio a forte temporal, foram abrigados na canoa vigilenga “Affonso Fonseca” comandada pelo pescador Raimundo Dias que pescavam naquela área.
“Foi abordo da canoa vigilenga que tem o nome de “Affonso Fonseca”, e a custo consegui que os caboclos consentissem que ficássemos amarrados pela popa até o amanhecer. Travamos relações com os tripulantes, então fomos acumulados de gentilezas. Às 18 horas jantamos uma “gorda gurijuba” salgada, com pirão de farinha d’agua. Apreciamos muito a simplicidade do nosso caboclo. Comemos bem, a fartar, e depois saboreamos um delicioso café na lata de leite condensado. A noite tivemos pequeno repouso, pois o tempo não permitia um pequeno descuido, era preciso estar alerta. Tiramos filme e fotografia e no dia seguinte rumamos para Belém.” (Trecho da entrevista de Pinto Martins ao jornal “Estado do Pará” – novembro de 1922).

VIGILENGA “MARINA” E A MISSÃO ALEMÃ JUNKERS:
Em 22 de janeiro de 1923, a segunda empreitada vigilenga aconteceu na bacia do Marajó.
Saíram de Cuba dois aparelhos em raid Havana-Rio de Janeiro – Bueno Aires. O primeiro hidroavião era tripulado pelos jovens pilotos alemães Hermann Mueller e Werner Junkers, este ultimo, filho do fabricante do avião que levava seu nome (“Junkers”) o outro avião pilotado por Willy Thill – que infelizmente sofre o acidente na bacia do Marajó, onde perdeu a vida e um dos hidroaviões. No momento do acidente o aviador, fatalmente ferido, foi socorrido pelos pescadores da canoa vigilenga “Marina” que presenciaram a fatídica queda do aparelho. Contudo, Hermann e Werner não se deixaram abater e prosseguiram sua incursão deixando sob a responsabilidade de um terceiro avião alemão os procedimentos de resgate.
A vigilenga “Marina” de propriedade do belenense Sr. Siqueira Lemos ficaria ainda mais conhecida, quando em setembro do mesmo ano, troca de nome para “15 de agosto” e protagoniza o mais destemido raid náutico entre Belem-Rio de Janeiro – viagem que dura seis longos meses parando por vários portos do percurso marítimo (assunto para outrora).

VIGILENGA “JURUNA”, JOSINO CARDOSO E OS AVIADORES ARGENTINOS:
Era tarde de domingo 13 de junho perto da Ilha de Maracá (costa norte do estado do Amapá) quando o segundo piloto da “juruna” Raimundo Dias - coincidentemente o mesmo pescador da vigilenga “Affonso Fonseca” - avista o hidroavião e avisa o piloto Josino Cardoso. Devido a tormentas de ventos e consumo excessivo de combustível os aviadores Olivero, Duggan e Campanelli desesperados e sem alternativas, contornando a ilha e avistando uma pequena embarcação, amerissaram o hidroavião “Buenos Aires” no mar agitado, um pouco adiante em torno de 100 metros da canoa pesqueira para que os pescadores pudessem vê-los. Raimundo disse a Josino: “...é igual do Pinto Martins, os homens têm pouca comida e estão sem gasômetro.”
Josino interrompe a pescaria e chama o resto da tripulação que com muita dificuldade conseguem embarcar os aviadores na juruna, socorrendo os desesperados aventureiros. No dia seguinte navegam numa exaustiva e arriscada jornada de seis dias rumo a Vigia. Comiam gurijuba com farinha e tragavam umas doses de cachaça para combater o frio, os agradecidos argentinos.
“Escapamos da morte devido ao incrível sangue frio e a estupenda têmpera muscular dos caboclos vigilengos” (piloto Bernardo Duggan).
Após o heroico episódio e com os aviadores a salvo, seguisse uma série de homenagem e honrarias de todos os países envolvidos no raid e cobertura da imprensa mundial sobre o ato heroico dos bravos vigilengos. Fato que muda para sempre a vida de nossos pescadores, principalmente de Josino.

VIGILENGA “TIRA-TEIMA” E ORAID PROTUGUES – HIDROAVIÃO ARGOS:
No dia 05 de julho de 1927, próximo ao Rio Calçoene a canoa vigilenga “Tira-Teima” do comandante pescador Albertino Araújo encontra, em critica situação ( ventos fortes, ondas violentas e a aeronave quase submersa), o hidroavião português “Argos” com sua tripulação seriamente ferida. Contava a tripulação: Capitão Castilhos, Major Sarmento de Beires, Capitão Duvalle, Alferes Manuel Gouveia e o mecânico brasileiro Armando Mendonça.
“...às 16 horas, avistei, muito ao longe as velas de uma embarcação. Revigorei os signais. Parecia que a embarcação não nos descobria...os outros tripulante subiram as azas do aparelho e discutíamos se o ponto por detrás das ondas era uma pholha ou um pedaço de pao flutuando. Finalmente, divisámos sem possibilidade de erro, as velas da “Tira-Teima”, que se aproximou com mais rapidez do que esperávamos. As 17.30h, a embarcação salvadora estava ao nosso largo. Os tripulantes encorajavam-nos. Já estávamos quase exaustos... A viagem da gloriosa vigilenga dos caboclos paraenses, até Vigia, demorou sete dias, uma verdadeira Odysséa. As tempestades se succediam. Comiamos apenas peixe fresco, cozido em água do mar, com farinha paraense...” (depoimento do brasileiro Armando Mendonça)
A canoa vigilenga “Tira-Teima” pertencia ao comerciante vigiense José Esteves, o mesmo proprietário da canoa “Juruna”, que salvou os aviadores argentinos.

VIGILENGA “NOVA IRACEMA” E TRAGICO ENIGMA DO AVIÃO “PARIS-AMERIQUE LATINE”
Em junho de 1927, pescadores da canoa vigilenga “Nova Iracema”, pilotada pelo vigilengo João de Deus, encontraram uma jangada construída com destroços de uma aeronave amarrada com fios elétricos, nela continha rodas e asas do aparelho. Estavam próximos ao Cabo Maguary, águas da fronteira brasileira com as guianas. Ao chegarem a Vigia, foi constatado que se tratava do Hidroavião Paris-Amerique Latine.
“No dia 21 de julho de 1927, recebi o primeiro telegrama anunciando a chegada a Vigia de uma canoa conduzindo os destroços de um avião, confirmado pelo intendente da Vigia, Moura Palha, presumindo com avisos de verdade que esses destroços sejam do avião do destemido aviador francês Sant Roman.” (Reportagem do Jornal O Paiz)
Presumiu-se na época que com ondas violentas, fome e sede no sol escaldante, levou a tripulação do hidroavião “Paris-Amerique Latine” a sucumbirem ao feroz clima da região. Desaparecendo para sempre com os corpos dos aviadores.

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“Canoa vigilenga, pescadoras de homem, elo entre nações, protagonista na aviação mundial. Ao mesmo, uma simples figurante no cenário ar-mar-terra. Responsável pela maior cobertura jornalística da época e relações diplomática entre nações e continentes. Saudosa vigilenga, que deixou registrado na historia da navegação o seu papel multiuso para o mar, rio, terra e ar.” Ailson Cardoso.

Retrografia Vigilenga
Fonte: Canoa Vigilenga. Sua origem e seus feitos. Parceira de mestres, mares e da aviação (Ailson Cardoso - Ney).
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Ailson dos Santos Cardoso, mais conhecido como     Ney, nasceu em Calçoene estado do Amapá em 1961, se mudou para a Vigia de Nazaré com idade de 4 meses junto com seus pais que mandou construir três embarcações vigilengas em Calçoene para transportar sua família e a mudança, a viagem até Vigia durou 12 dias enfrentando mar revolto e tempestades. A frota vigilenga era compostas de três pilotos e doze tripulantes e mais nove membros da família de Astrogildo Leal Cardoso.

Ailson dos Santos Cardoso (Ney)

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