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Orgulhosamente Vigiense

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Conheça as histórias dos oratórios da Velha Vigia

Em tempos idos, na Fajã Grande, à noite, antes de se deitar, era costume em muitas casas as famílias vigienses juntar-se para rezar o terço ao qual se seguiam outras orações, geralmente Padre Nossos e Avé Marias pedindo a Deus ajuda e proteção para os familiares vivos e o descanso eterno dos que já haviam falecido. Geralmente era o pai e no caso dos homens menos devotos a mãe que presidia às orações. Em muitas casas, era junto a um oratório que se faziam estas orações.

Os oratórios, geralmente, eram herdados de pais, avós e bisavós e eram guardados, com muito respeito, em cima da mesa da sala ou quarto, pelas pessoas mais antigas chamada casa de fora, para distinguir da cozinha onde a família permanecia sempre que os seus membros estavam em casa, quando ainda não deitadas. Quase todas as casas tinham os seus oratórios com os santos da sua devoção, onde não faltava um cruxifixo. O cruxifixo, guardado no oratório tinha um simbolismo muito grande, porquanto para além de uma herança especial e muita antiga, havia sido colocado nas mãos de pais, de avós, de bisavós e de outros parentes na hora da morte.

Estes oratórios eram pequenas caixas de madeira, com a tampa da frente em vidro. Por vezes com a forma de porta. Muitos deles, apesar de pequenos eram muito bonitos uma vez que reproduziam a estrutura de pequenos altares de igrejas barrocas. Outros eram forrados de tecidos ou de veludo e tinham desenhos e flores. Eram pois peças muito interessantes, uma espécie de relicário onde se guardavam os símbolos da devoção das famílias que os possuíam. Para além do cruxifixo que não faltava em nenhum oratório, geralmente colocado na parede traseira, os oratórios continham várias imagens de santos de devoção familiar. Mas as imagens que predominavam eram as Nossa Senhora, nomeadamente a Senhora do Carmo, a Senhora do Rosário, a senhora da Conceição e a Senhora da Saúde. Os santos mais comuns para além do Coração de Jesus e de S. José eram São Francisco, Santo Amaro, São Pedro e Santa Rita. Alguns oratórios também guardavam pequenas coroas do Espírito Santo, terços, medalhinhas de santos, escapulários da Senhora do Carmo, cordão de São Francisco e folhetos com orações. Ao lado do oratório geralmente eram colocadas fotografias sobretudo de familiares que haviam partido para a outros lugares ou que já tinham falecido.

Lamentavelmente a maioria destas simples e pequenas mas simbólicas peças representativas da religiosidade popular ter-se-ão, como tantos outros utensílios domésticos antigos, perdido por completo no tempo, no espaço e na memória de muitos.

Ainda nos lares mais humildes e nos interiores de Vigia é comum encontrar mesmo nos dias de hoje esse símbolo de nossa cultura.

Imagens de oratórios vigienses expostos no Museu Municipal de Vigia.
Imagens de oratórios vigienses expostos no Museu Municipal de Vigia.