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CONHEÇA A HISTÓRIA DA PARTICIPAÇÃO DAS VIGILENGAS  NA EXPEDIÇÃO CIENTÍFICA NAZISTA NA AMAZÔNIA – 1935/1937

VIGILENGAS E O HIDROAVIÃO SEEKADETT (ÁGUIA MARINHA).

 

A EXPEDIÇÃO CIENTÍFICA NAZISTA NA AMAZÔNIA – 1935/1937

 

Heinrich Himmler, chefe do Departamento Central de Segurança do III Reich, subordinado a SS, acreditava que era possível encontrar na Amazônia, descendentes da Atlântida, de raça pura e vestígios genéticos da “raça ariana, cujo destino era o vale do rio Jarí, na região norte do Brasil. Otto Schulz-Kampfhenkel, formado em geografia e ciências naturais. Tinha paixão pela aviação e integrou a missão cientifica como piloto de hidroavião “Seekadett”, apelidado “Águia Marinha”. Apenas quatro alemães faziam parte da confusa e misteriosa “expedição” científica, que chegou a Belém no inicio de 1935. O chefe era Gerd Kahh. Joseph Greiner cuidaria da segurança do grupo e guarda do material vindo da Alemanha. A expedição para ter sucesso precisou de apoio marítimo das canoas vigilengas tipo batelão para subir as corredeiras dos rios da região do Jarí. As canoas vigilengas utilizadas nessa missão do tipo batelão e tapaioras usavam pouco as velas em virtude da corredeira dos rios e a falta constante de vento, foram adaptadas ao remo e para isso precisam de bastante homens fortes para remar e revesar e bons pilotos de conhecimento da região. Não tinham nenhum vinculo com os alemães, foram apenas contratados para realizar a tarefa de conduzir os nazistas.

Otto Schulz pilotaria o hidroavião, cuja manutenção ficou a cargo do mecânico Gerhard Krause, também técnico de som que operaria os gravadores e as filmadoras. Os quatro alemães eram oficiais do exército nazista de Hitler, e deveriam proceder ao levantamento topográfico da bacia do ri Jarí até suas cachoeiras, com interesse cientifico de pesquisar a fauna e a flora da região e de outra ordem. Schulz-Kampfhenkel e seus companheiros passaram 2 meses, em Belém, requerendo autorização para subir o rio Jarí. Para provar que o objetivo da expedição era eminentemente cientifico, mostrou às autoridades brasileiras as cartas de credenciamento expedidas por institutos de pesquisa e museus de história natural da Alemanha. Foi bastante convincente nas suas explicações, tanto que, conseguiu a adesão do Instituto Emílio Goeldi, de Belém e do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Porém, embora o Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil, Getúlio Dorneles Vargas fosse simpático ao nazismo, o aval das Forças Armadas custou a sair.

Pesquisa feita pelo maior conhecedor sobre Vigilengas do Brasil - Ailson dos Santos Cardoso (Ney)

Hidroavião “Seekadett”, apelidado “Águia Marinha”, estacionado na rampa destinada a aviões anfíbios (hoje, ver-o-rio),em Belém. Os 3 alemães que chegaram à capital do Pará, em 1935, são vistos entre militares brasileiros. Atrás do hidroavião a vela de uma canoa vigilenga.

Expedição alemã singrando as águas do Rio Jari, no trecho navegável antes da cachoeira Santo Antônio. Na proa da embarcação vigilenga tipo batelão, pode ser vista uma bandeira com a cruz suástica, simbolo do nazismo.

Canoas sobrecarregados e rio raso demais, o geógrafo determina a instalação de subacampamentos, dividindo sua equipe. O inverno amazônico se aproximava, chovia copiosamente. Explorando um rio, Schulz-Kampfhenkel foi surpreendido por uma súbita enchente, perdendo seu barco com todo o equipamento – câmeras, material de cartografia, armas, provisões e roupa. Durante uma semana errou sozinho pela selva. Foi resgatado e safou-se da morte pela segunda vez.

Cabloco transpondo canoa em uma cachoeira na missão nazista.

Na oportunidade era governador do Estado do Pará o Senhor José Carneiro da Gama Malcher, que tomara posse a 4/5/1934 e nele permaneceu até 25/1/1943. O general baiano Manuel Cerqueira Daltro Filho, que comandava a 8ª Região Militar desde o mês de maio de 1935, exigiu dos alemães o máximo de respeito à soberania nacional e os prestigiou até julho de 1937, ocasião em que foi transferido para o Rio Grande do Sul. Outro importante apoio os alemães receberam do coronel José Júlio de Andrade, afinal de contas, as terras que eles iriam percorrer lhes pertenciam. Indagados sobre tanto interesse pela região do rio Jari, os membros da expedição afirmavam: “Aqui é oferecido um espaço suficiente para imigração e o estabelecimento dos povos nórdicos. Para a mais avançada raça, oferece infinitas possibilidades de exploração”. Comentava-se, entretanto, que a expedição tinha a missão de explorar a região fronteiriça do Brasil com a Guiana Francesa e colonizá-la para o “Terceiro Reich”.

Os alemães contrataram 30 caboclos da região do Jari para auxiliá-los nos trabalhos da expedição. Nesta fotografia, aparecem 16 homesns remeiros engajados na empreitada, acostumados a enfrentar as corredeiras e as cachoeiras do Rio Jari. As roupas dos remeiros é típica de pescadores vigilengos, ao fundo canoas vigilengas.

Otto Schulz era um bom piloto, mas as vezes abusava da sorte e da paciência dos patrícios. Certa vez tentou subir o rio Jarí com o avião deslizando em seus flutuadores, deixando de fazê-lo ao ver que a empreitada era impossível de ser realizada. Certa vez, realizando voo para levantamento topográfico, o hidroavião perdeu altura e espatifou-se sobre toras de madeira que flutuavam sobre as águas do rio Amazonas, entre Gurupá e Arumanduba. O piloto Otto Schulz e o mecânico Gerhard sobreviveram e passaram horas agarrados a um dos flutuadores do avião. Foram resgatados por caboclos da região que os encontraram bastante exaustos. Em outra ocasião, sob forte chuva, Oto Schulz subia o rio Jarí, tendo a bordo de uma canoa câmara fotográfica, filmadora, bússola, armas, munições, material cartográfico, comida e roupas, quando foi surpreendido por um repiquete de inicio do inverno. Só não perdeu a vida, mas ficou vagando perdido pela floresta. Os índios o encontraram completamente desnorteado.

Dois membros da expedição, provavelmente piloto de canoas vigilengas, remam sentados nos flutuadores do hidroavião.

Greiner adoeceu de malária e sentiu que não resistiria, pediu que sua mercadoria fosse guardada e entregue a seus patrícios, que estavam ausentes. Entrou em coma e faleceu às 20 horas do mesmo dia, aos 30 anos de idade.  Na manhã do dia 3 de janeiro, enquanto um mensageiro foi avisar os demais membros da expedição, o pessoal da filial de Santo Antônio realizou o sepultamento de Joseph Greiner no pequeno cemitério local. Ela se destaca de modo imponente entre as demais cruzes do cemitério da antiga Vila da Cachoeira, demarcando o local onde Joseph Greiner foi sepultado.

Índios aparai junto a cruz de acapu feita em Belém e fixada no local onde morreu o alemão Joseph Greiner.

A expedição levou para a Alemanha um apreciável acervo: peles de 500 mamíferos diferentes, centenas de répteis e anfíbios e 1500 peças arqueológicas. Produziu 2.500 fotografias e 2.700 metros de filmes de 35 mm focando índios, caboclos, animais, peles, cobras, etc. Detalhes marcantes da expedição estão contidos em um livro editado em 1939, em Berlim, pela editora Deutscher Verlag, com o nome de “Rätsel der Urwaldholle”, significando em português “Mistérios do Inferno na Mata Virgem”, que corresponde ao diário do geólogo e piloto Otto Schulz-Kampfhrnkel. Na edição de 1938, há 60 fotografias.