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Avião argentino resgatado em Vigia por Josino Cardoso

A história quase esquecida da vigilenga de heróis.
Em 1926 o vigilengo Josino Cardoso e sua tripulação, abordo da canoa vigilenga "Juruna" socorreram em auto mar, pilotos argentinos vítimas de um acidente aéreo. Este fato deu ao pescador notoriedade nacional e internacional.

(Revista da Semana. Rio de Janeiro 17 de julho de 1926. Coleção DF)
Josino Cardoso saiu da humildade de sua vida de pescador para viver glorificado por nós como símbolo de nossa valentia e hospitalidade e pelos nossos irmãos do Prata, como salvador dos arrojados tripulantes do Buenos Aires, o avião argentino que vem fazendo com grande êxito o raid New York – Rio de Janeiro – Buenos Aires. Nunca lhe passou pela ideia de homem modesto, cuja modéstia chegou a insurgir-se ante as festas que lhe foram oferecidas – haveria de ser um dia um nome nacional, apregoado por todo o Brasil como genuíno detentor das qualidades fortes de nossa raça. E também nunca supôs que a imprensa de nosso país, lhe disputasse o retrato, depois de haver glorificado a audácia do marinheiro. A Revista da Semana que já se referiu com muito entusiasmo ao feito notável de Josino Cardoso, dá aqui, o seu retrato para que todos os nossos compatriotas conheçam esta figura vigorosa de domador das ondas sempre rebeladas dos mares da Amazônia. Ao lado, a Juruna, a barca salvadora, a cujo bordo se vêemJosino e os aviadores Duggan, Olivero e Campanelli.

Também faziam parte da tripulação da “Juruna”: Gil Cardoso (filho de Josino), Raimundo Dias, José Palheta, Maximiliano Fernandez e Demétrio Gomes.

Na imagem, vemos Josino Cardoso (de terno branco) e alguns de seus tripulantes, no Porto de Vigia em 1926.

Na imagem da década de 1970, vemos a inauguração do obelisco em homenagem ao pescador Josino Cardoso e a tripulação da canoa vigilenga "Juruna", que salvou pilotos argentinos à deriva em auto mar, no ano de 1926.
Na cidade de Tadil, na Argentina, há uma praça com uma replica da embarcação responsável pelo ato heroico.

Jornais da época relatando o fato ocorrido em Vigia

Confira aqui a história completa

Com os dados das viagens de Hinton, os argentinos começaram a traçar a sua rota. Decidiram, como a maioria dos aviadores da época, por utilizar um hidroavião. Concluíram que a aeronave ideal seria o Savoia-Marchetti S 59.

Na Itália, acompanham a construção e entrega de sua aeronave que contava com motores de 400hp de potência, a portentosa velocidade máxima de 176 km/h, autonomia de 1.400 km e uma carga de total de 900 litros de combustível. Isso tudo sem rádio e outras máquinas de apoio ao voo.

Finalmente o hidroavião é completado com as tradicionais cores nacionais argentinas e despachado através de navio para Nova York. Neste momento junta-se aos dois argentinos Julio Campanelli, executando o trabalho de mecânico. 

Partindo da Terra do Tio Sam 

Nos Estados Unidos são tratados com honras, recebendo apoio incondicional das autoridades locais, inclusive com liberação de aterrissagem em bases americanas durante o trajeto.

 

O hidroavião Buenos Aires

Realizam várias provas e no dia 24 de maio de 1926, decolam em direção sul, com a primeira parada será em Chaleston, no estado da Carolina do Sul, depois Miami, seguindo para Havana, em Cuba. Neste país passam ainda pelas cidades de Cienfuegos e Guantanamo. Depois seguem para Porto Príncipe, no Haiti, aonde são ovacionados por grandes multidões, depois Santo Domingo, na Republica Dominicana, seguindo na seqüência para San Juan (Porto Rico), Ilhas Virgens, Montserrat, Guadalupe, Martinica e Trinidad e Tobago. Neste ponto deixam de sobrevoar as paradisíacas ilhas caribenhas e atingem a América do Sul pela Guiana Inglesa (atual Guiana), chegando a capital Gorgetown, depois Paramaribo, na Guiana Holandês (atual Suriname), em seguida Caiena, na Guiana Francesa. A partir deste ponto ocorreria o incidente mais grave de todo o trajeto.

 

Barca paraense “Juruna”, vendo sentados, da esquerda para direita, Duggan, Olivero, Mestre Josino Campos (comandante do barco) e Campanelli, no porto de Belém em 1926.

Existem duas versões para o que aconteceu com o hidroavião ao sobrevoar o trecho Caiena – Belém.

Uma delas afirma que o “Buenos Aires” teve um problema no motor e teve que pousar no Oceano Atlântico, de frente as costas brasileiras, sendo resgatados por um pequeno barco pesqueiro, o “Juruna”, que os reboca para uma ilha, na qual o mecânico Camapanelli pode concertar a aeronave e seguirem para Belém.

A outra versão afirma que as faltas de mapas detalhadas da região para uma melhor navegação, além de chuvas torrenciais, fazem a tripulação do “Buenos Aires”, aparentemente, perder seu rumo, pois os mesmos se vêm com uma completa falta de combustível, tendo que pousar em um rio da região aonde os pilotos são resgatados pelo mesmo “Juruna”. O certo é que durante alguns dias o mundo desconhece o paradeiro dos três argentinos, preocupando todos que acompanhavam o raid, Após os sete dias de parada eles seguem para Belém e lá são recepcionados como heróis.

Foto original do avião argentino que caiu na Costa do Amapá e foi resgatado por vigienses. A direita foto dos aviadores Duggan e Olivero.

Foto do aviador Olivero

que foi salvo por Josino Cardoso.