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Orgulhosamente Vigiense

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O túmulo esquecido do aviador Kaércio.

Repousa em um sepulcro do Cemitério São Francisco em Vigia de Nazaré, os restos mortais de um bravo soldado brasileiro de nome kaércio José Raiol, morto em um acidente aéreo, que teve como cenário o rio Guajará Miri, em fevereiro de 1945.

Nesse período nefasto de nossa história, nosso país passou a ser atacado pela frota alemã que torpedeava navios mercantes em nosso litoral. Frente à pressão das nações aliadas o Brasil declara guerra aos países do eixo (Alemanha, Itália e Japão), deixando desse modo à população apreensiva.

Nesta face da guerra, além dos zepelins que cruzavam os céus da Vigia, silenciosos e vagarosos, e que pareciam arrastarem-se pelo espaço, causando admiração e uma estranha sensação de medo. Aviões da FAB sobrevoavam a cidade à noite e as escuras, trazendo um inquietante temor à população. O silencio, a escuridão e o pavor da guerra faziam o coração pulsar mais forte. Quando o ronco das aeronaves quebrava o silêncio noturno parecia que aviões inimigos estavam chegando para bombardear a cidade. Luz nenhuma era mostrada, a fim de não apresentar nossa posição na geografia do combate.

Foi nesse quadro tempestuoso que no começo do ano de 1945, no final de uma tarde quente de verão, surge pelo rumo da “boca da Vigia” um avião. Talvez em missão rotineira e aparentado problemas mecânicos, o aparelho repentinamente cai e afunda nas águas do rio que banha nossa cidade, deixando a população bastante assustada. Após o salvamento de quatro tripulante do bimotor por pescadores que laboravam ali perto (na frente da praia do Itapuá), começam as buscas pelo avião e pelo corpo do soldado que não conseguiu se desvencilhar do sinto que o prendia a cadeira, afundando junto com a aeronave. Após dias de busca, foi encontrado nas proximidades da Vila de Guajará, no final do estirão, num perau lodoso do rio por Raimundo Rodrigues Cordeiro, um caboclo bom de fôlego conhecido como “Pontisca”, e exímio mergulhador que, num segundo mergulho, traz a tona o cadáver do valente soldado.

A cidade acompanhou esse acontecimento com pesar ao lado de oficiais e soldados da Aeronáutica. No mesmo dia, com honras militares, o corpo do aviador foi sepultado no cemitério publico de nosso município. Fato dado, pela turbulenta atmosfera causada pela guerra, que impossibilita o translado do corpo para o âmbito de sua terra natal, desconhecida até os dias de hoje. A própria Aeronáutica mandou construir um mausoléu, que apesar do tempo ainda se encontra preservado, pelas mãos de poucos idosos e alguns funcionários que conhecem a triste história. Na sepultura esquecida, ao lado da foto bem visível, está a inscrição lacônica, em letras quase apagadas: “Faleceu o soldado Kaércio José Raiol”.

Pouco se sabe da vida de kaércio. Mais muitos já o aplaudiram no acender das velas do dia dos mortos.


Aos que forem a Necrópole São Francisco, no dia de finados, aconselho a procurar e velar com orgulho, o túmulo e os restos mortais do aviador Kaércio.

 

Em maio de 1945 a guerra chegou ao fim e nossos jovens patriotas voltaram vitoriosos para sua terra natal que os recebeu de braços abertos e com muita festa. Entre os ex-combatentes estavam Migue Souza, residente na Vila de Porto Salvo, Eduardo José Ferreira residente na região do rio Barreta, Mário Capitulino Barbosa e Florêncio de Moraes Pinheiro, ambos residentes em Vigia cujos nomes sempre ficarão guardados na memória do povo vigiense.

 

 

Após a guerra e como homenagem aos ex-pracinhas, foi construídda no bairro do Arapiranga a Praça do Expedicionário, para perpetuar a gratidão a seus fihos defensores da Pátria.

Kaércio José (aviador)